Sugestões para @edison_mineiro
O excesso de formatos internacionais e remakes na TV
brasileira
Acorda cedinho, toma o café da manhã às pressas para não
perder o ônibus. Na escola, guarda o melhor lugar antes do soar da campainha.
Já de volta em casa, espera o relógio marcar as 2h15 para assistir “Gotinha de
Amor”. Quando cai à tardinha, fica com os olhos grudados aguardando “Carrossel”
e mais tarde “A Fazenda”. Aos domingos, junta toda a galera e faz aquela pipoca
para ver o The Voice Brasil. Com certeza, algum de vocês se encaixou neste
perfil!
Não é de hoje que os realitys, games e talks shows
representam uma gorda fatia da programação televisiva. Big Brother Brasil, No
Limite, Ídolos, Supernanny, CQC e muito mais. Apesar de serem formatos
diferentes, todos têm em comum o fato de atraírem notáveis cotas publicitárias
e virem do estrangeiro. A influência estadunidense, nas produções tupiniquins,
está enraizada desde o início das transmissões da Tupi.
À princípio a TV não era popular no nosso país, as empresas
nacionais não se interessavam; resultado: poucos anunciantes. As únicas que
viam as emissoras com bons olhos eram as corporações multinacionais. As mesmas
bancavam os produtos brasileiros, porém não ficava barato, eles exigiam o que
queriam ver, como também se envolviam na contratação de alguns profissionais.
Glória Magadan e Boni, por exemplo, eram contratados da Colgate-palmolive
através da agência Lintas. E não parava por aí, alguns programas ganhavam o
nome dos patrocinadores: Repórter Esso (o primeiro noticiário brasileiro), Gincana
Kibon (sucesso nos anos 50 na Record). Além disso, formatos internacionais eram
importados e adaptados.
Atualmente produtores viajam ao exterior e voltam com as
“malas” cheias de “ideias”, “atrações”, tudo feito comida instantânea, ou seja,
pronto, mas é preciso acrescentar água. No caso dos programas, essa água
corresponde à adaptação para uma linguagem local. O sucesso é tanto que
empresas como a Endemol vieram abrir um escritório no Brasil, com a intenção de
fiscalizar possíveis plágios e vender conteúdos.
Outra parcela da grade televisiva encontra-se entregue as
reprises e remakes. O SBT conta com quase 6 horas destinados às repetições. É
claro é nostálgico reviver de novo e sem falar que dá audiência: alguém se
lembra dos 15 pontões de Pantanal, no último capítulo, em 2010? Quanto aos
remakes vemos Carrossel (mega sucesso), Guerra dos Sexo, Gabriela e Rebelde (os
dois últimos acabaram recentemente) e logo teremos Chiquititas. Não criaram
nada, apenas estamos vivendo do passado!
“Não entendo por que eles fazem tantos remakes, só de
obra minha já fizeram vários. Vão fazer outro agora, “Guerra dos Sexos”. Acho
que é por falta de história. Hoje em dia são produções milionárias,
extraordinárias, tudo muito sofisticado. Perde um pouco aquela coisa mais lúdica.”
Conta Lucélia Santos ao Gente do Ig.com.
A TV dos anos 2010 mostra-se em um círculo vicioso,
estagnada. A célebre frase do Chacrinha sintetiza tudo: “Nada se cria, tudo se
copia”. Profissionais do meio televisivo veem como mais fácil comprar algum
produto do exterior: “se faz sucesso lá fora certamente fará aqui”. Enquanto
isso, milhares de jovens ou adultos criativos, com ideias inovadoras, mas
precisam apenas de uma oportunidade.
Edison Mineiro - SBT
World

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