A
novela Carrossel, que foi exibida pelo SBT/Alterosa no início da década de 1990
e chegou a tirar audiência do Jornal nacional, da Globo, volta à programação da
emissora a partir de amanhã. Agora, os telespectadores vão ver uma versão
brasileira da trama, adaptada por Íris Abravanel, e com muitos rostos
desconhecidos no elenco para contar uma história que pretende voltar a reunir a
família diante da televisão. Carrossel será exibida de segunda a sexta-feira, a
partir das 20h30.
Os
protagonistas são as 17 crianças que estudam na Escola Mundial, na turma da
professora Helena (Rosanne Mulholland). Dos pequenos, somente Maísa Silva já é
famosa. A pequena tem sido uma das apostas do SBT há quatro anos, desde que
estreou no Sábado animado. Essa será a sua primeira novela, e para viver a
sapeca Valéria, ela teve de mudar o visual. Os cachinhos que encantaram o
Brasil não existem mais. A menina, que agora tem 9 anos, está com os cabelos na
altura dos ombros e lisos.
“Ela
tem uma personalidade forte e sabe ser brava. No começo, Valéria não vai com a
cara da professora Helena, mas depois se tornará o seu xodó”, comenta Maisinha,
que teve de deixar de fazer atividades do dia a dia, como inglês, capoeira,
natação e balé, para se dedicar às seis horas diárias de gravações nos estúdios
do SBT. As crianças trabalham de segunda a sábado.
Ainda
no núcleo infantil, a filha da cantora Simony faz sua estreia como atriz. Aysha
Benelli interpreta Laura, uma menina gordinha e sentimental. “Acho legal ser
famosa, e minha mãe me ajuda a decorar os textos. Estou gostando muito”, diz
ela.
A
doce professora Helena é interpretada por uma atriz de Brasília, que já fez
filmes e integrou a equipe do programa A liga, da Band, em 2011. “Assistia a
Carrossel quando era criança”, garante Rosanne Mulholland. “A novela faz parte
da minha infância e vou usar referências da Helena feita por Gabriela Rivero,
na versão original.”
Para
assistir com a família
A
ideia do remake partiu de Daniela Beyruti, diretora artística do SBT e herdeira
de Sílvio Santos. “Ela tinha boas lembranças da época em que víamos Carrossel
todos juntos em casa e quis trazer isso de volta”, diz a autora, Íris
Abravanel, que preferiu se manter fiel à história e intensificará os conflitos
em cena.
O
preconceito racial é um deles. Na trama, ele será retratado por meio do
personagem Cirilo (Jean Paulo Santos), que é apaixonado pela patricinha do
colégio, Maria Joaquina (Larissa Manoela), e sofrerá episódios de rejeição
constantemente. Larissa diz estar preparada para terem raiva dela: “Se me
odiarem, é porque estou fazendo bem o meu papel”.
“É
uma forma de lidar com a verdade. Independentemente da cor, sempre existe a
menina que despreza o cortejo de um coleguinha”, afirma Íris. “Damos a
oportunidade de os pais conversarem com seus filhos sobre esse e outros
assuntos. Para mim, bullying é uma coisa mais pesada do que vamos ver com as
crianças na novela. Vamos mostrar maldades que sempre existiram e que ajudam a
aprendermos a nos defender. Também vai ter o padre, o judeu. Personagens de
todas as classes serão representados.”
Já
Lívia Andrade tem a missão de fazer a antagonista do folhetim, Suzana, e
apimentar a história. Na versão mexicana, sua personagem não existia. “Ela foi
criada para gerar conflitos e disputar a atenção de todos. Suzana tentará
atrapalhar a vida de Helena o tempo inteiro. A cada hora ela está de um jeito e
parece ter a mesma idade mental das crianças”, revela a atriz, que continuará a
fazer suas participações no Programa Sílvio Santos, aos domingos.
Segundo
o diretor-geral de Carrossel, Reynaldo Boury, a emissora está tendo um cuidado
especial com os atores mirins. Uma psicóloga, uma pedagoga, uma fonoaudióloga e
uma pediatra foram contratadas para dar suporte ao elenco nos bastidores. Até a
alimentação deles conta com cardápio elaborado por uma nutricionista.
Para
as mães dos atores não ficarem sem fazer nada nos corredores do SBT, a emissora
criou uma sala de ginástica e de computador para ajudar a passar o tempo. “Faço
novela desde 1962 e nunca tinha gravado com crianças. Para essa experiência
nova, tenho dois diretores que cuidam deles, pois essa não é uma tarefa fácil.
Vocês não imaginam o que eles aprontam”, conta Boury.
A
produção colocou pontos eletrônicos à disposição do elenco para facilitar as
gravações das cenas com as crianças, o que gerou burburinho na imprensa. “É um
teste, e usa quem quiser. Quem acha que todas as falas estão decoradas não
precisa usar o ponto eletrônico. Posso dizer que ajuda e que é só mais uma
ferramenta de trabalho”, diz o diretor-geral.
EFEITOS
ESPECIAIS
A
adaptação de Carrossel terá 260 capítulos, resumindo o conteúdo da versão
original, que teve 357. Ou seja, deve ficar no ar por quase um ano. A novela
estreia com cerca de 80 capítulos já gravados. Para aproximar a história dos
dias atuais, a tecnologia foi adicionada à trama. Agora, as crianças têm
tablets, celular e games portáteis. Outro reforço tecnológico aparecerá nas
edições com muitos efeitos especiais, dando vazão a um mundo imaginário onde
existe até um buraco negro.
VIDEOCLIPE
E
em um ambiente muito apropriado, o elenco de Carrossel gravou o clipe da novela
no Playcenter. O vídeo será exibido ao final de cada capítulo. Assim que o
transporte escolar chega ao parque, os alunos ficam eufóricos ao ver o colorido
carrossel. A alegria é tanta que eles literalmente atropelam a diretora Olívia
(Noemi Gerbelli) ao sair do ônibus. A criançada ocupa os lugares do brinquedo,
que começa a girar. As brincadeiras e gargalhadas tomam conta de todo o núcleo
da Escola Mundial, que canta o tema escrito por Arnaldo Saccomani e Júlia
Nascimento.
Primeiros
capítulos
A
novela tem início com a chegada de Helena à Escola Mundial para assumir o cargo
de professora efetiva. Logo ela demonstra sua jovialidade, o desejo de lecionar
e a disposição de dar aos alunos uma boa formação. É a primeira e a única a
conquistar todas as crianças do 3º ano, batendo de frente com as regras e
exigências da impetuosa e rigorosa diretora Olívia. Helena está sempre disposta
a colaborar com todos, não só conquista a confiança dos alunos como também
acaba se envolvendo com os conflitos pessoais e familiares. Ela passa a ser,
além de uma professora, uma grande amiga e conselheira.
Helena
encontra no velho Firmino, o zelador da escola, um fiel amigo. Os dois agem
como conciliadores nos conflitos provocados pela autoritária Olívia, que não
gosta da tolerância excessiva da professora com relação aos alunos. Firmino
conhece todos os alunos e funcionários da escola e sabe lidar com cada um
deles, até mesmo com dona Matilde, a exagerada professora de música, que sofre
com as travessuras das crianças e está sempre estressada.
Quando
Helena fica doente, a professora Suzana chega para substituí-la e acaba
cativando também o coração das crianças. Mas logo se revela: Suzana quer o
posto de Helena. Quase ao mesmo tempo, a professora de música, enlouquecida,
deixa a escola e é substituída por René, que forma uma banda com os alunos do
3º ano e acaba tendo um romance com Helena. E por aí vai.
TRÊS
PERGUNTAS PARA IRIS ABRAVANEL/AUTORA DA NOVELA
A
professora Helena é a personagem que move a trama? Explique.
A
trama é movida, principalmente, pelos conflitos entre os personagens infantis,
embora não reste dúvida de que a professora Helena impactou toda uma geração
com sua doçura e beleza. Ela é a professora que todos gostariam de ter. Hoje,
ela é o protótipo da princesa moderna, como Kate Middleton, por exemplo.
Quais
temas atuais você pretende abordar na novela?
O
universo tecnológico das crianças hoje é infinitamente maior do que há 20 anos.
Hoje elas usam celular e toda parafernália eletrônica. As aulas estão mais
interativas do que na antiga Escola Mundial. Abordamos também o fantástico
mundo da imaginação infantil. Está provado que a fantasia é saudável para a
criança, e que através dela são resolvidos vários problemas emocionais e de
superação.
Carrossel
foi produzida em 1989 e de lá para cá o comportamento das crianças mudou, as
brincadeiras, os jogos, os interesses. De que forma e que recursos usou para
adaptar a novela para os nossos dias?
Criamos
diálogos mais dinâmicos e, claro, ambientamos a trama para os nossos dias.
Realizamos pesquisas em algumas escolas para nos inteirarmos sobre o
comportamento das crianças e também para perceber como elas usam os espaços
escolares. Durante as pesquisas, percebemos que as crianças inseriram em suas
brincadeiras os brinquedos eletrônicos, como vídeogames portáteis, e também
usam celulares e ouvem músicas no iPod. Mas elas continuam brincando de
pega-pega e também praticam esportes. Em Carrossel, usamos todos esses recursos
do universo infantil atual: tem o garoto que gosta de videogame, tem a menina
que ouve música no iPod, mas também brincam de pula-corda e pega-pega.
Informações: Jornal
Estado de Minas
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