Entrevista com a
autora Iris Abravanel
De quem partiu a ideia
de fazer o remake da novela Carrossel? Por quê?
A ideia partiu de
minha filha Daniela Beyruti,
diretora artÃstica do SBT. Ela guardava na lembrança os bons momentos em que
nossa famÃlia reunida assistia Carrossel.
Partiu dela o desejo de propiciar este tempo de união entre os pais, que
naquela época eram crianças, com seus filhos.
Você acompanhou a
exibição da primeira versão da novela? As suas filhas assistiram, como foi a
reação da famÃlia?
Acompanhei Carrossel com minhas filhas. Foram momentos
preciosos em que tive várias oportunidades de reforçar valores positivos de
caráter para que elas pudessem conviver pacificamente com seus semelhantes.
A professora Helena é
a personagem que move a trama? Explique?
A trama é movida,
principalmente, pelos conflitos entre os personagens infantis, embora não resta
dúvida de que a professora Helena impactou toda uma geração com sua doçura e
beleza. Ela é a professora que todos gostariam de ter. Hoje, ela é o protótipo
da princesa moderna, como Kate Middleton, por exemplo.
Quais temas atuais a
senhora pretende abordar em Carrossel?
O universo tecnológico
das crianças hoje é infinitamente maior do que há 20 anos. Hoje elas usam
celular e toda parafernália eletrônica. As aulas estão mais interativas do que
na antiga Escola Mundial. Abordamos também o fantástico mundo da imaginação
infantil. Está provado que a fantasia é saudável para a criança, e que através
dela, são resolvidos vários problemas emocionais e de superação.
Na primeira versão,
Maria Joaquina humilhava Cirilo de uma forma muito cruel. Na sua adaptação o
conflito entre os dois será mantido? De que forma?
Toda discriminação é
cruel e, infelizmente, existe. Não dá para sermos hipócritas e ignorarmos o que
está acontecendo nas escolas. Apesar de termos suavizado o conflito entre eles,
não poderÃamos deixar de abordar esse tema.
Mimada e arrogante,
Maria Joaquina é uma das personagens que tem mais dificuldade em se relacionar
com as diferenças. Quais as lições que você transmitiria a Maria Joaquina caso
fosse mãe dela?
A mesma que transmiti
à s minhas filhas enquanto assistÃamos Carrossel.
O respeito e amor ao próximo devem ser cultivados desde cedo e em casa. Quando
superamos nossas diferenças podemos viver com mais justiça, gerando paz e alegria
de viver. Quando conseguimos domar a fera da maldade que existe dentro de nós,
aumentamos nossa autoestima, nos tornamos seres humanos mais seguros,
realizados e confiantes.
Em Carrossel algumas
personagens sofriam o bullying de uma forma muito severa. Você
abordará o bullying com a mesma medida da versão
original?
O bullying é um veneno que está destruindo nossas
crianças e aterrorizando professores. Mesmo amenizado, é impossÃvel nos
desviarmos desse assunto, tão sinistro em nossas escolas. Lembro-me que, certa
noite, minha filha Renata acordou chorando. Havia sonhado que Cirilo estava
chorando por conta da humilhação sofrida com o desprezo da amada, Maria
Joaquina. Ela estava realmente indignada. Queremos gerar esta mesma indignação
nos nossos telespectadores mirins, para que se conscientizem das consequências
danosas que o bullying pode provocar.
A senhora acredita que
Carrossel será uma novela polêmica por conta do bullying?
Todo assunto polêmico
gera discussões, mas também, possÃveis soluções. Certamente, as famÃlias
poderão dialogar a respeito desse câncer que está destruindo nossas crianças.
Sempre é bom lembrarmos que cultivar o amor ao próximo é fundamental para se
viver em harmonia.
Carrossel foi
produzida em 1989 e de lá pra cá o comportamento das crianças mudou, as
brincadeiras, os jogos, os interesses, etc. De que forma e que recursos usou
para adaptar a novela para os nossos dias?
Nós criamos diálogos
mais dinâmicos e, claro, ambientamos a trama para os nossos dias. Realizamos
pesquisas em algumas escolas para nos inteirarmos sobre o comportamento das
crianças e também para perceber como elas utilizam os espaços escolares.
Durante as pesquisas, percebemos que as crianças inseriram em suas brincadeiras
os brinquedos eletrônicos, como vÃdeo games portáteis, elas também usam
celulares e ouvem músicas no Ipod. Mas elas continuam brincando de pega-pega, e
também praticam esportes. Em Carrossel,
utilizamos todos esses recursos do universo infantil atual: tem o garoto que
gosta de vÃdeo game, tem a menina que ouve música no Ipod,mas também brincam de
pula-corda e pega-pega.
Você fez algum tipo de
workshop em escolas para observar o comportamento das crianças? Como foi a
experiência?
Sim, pedi aos meus
colaboradores que fizessem pesquisas e visitas nas escolas. Tive, também, a
oportunidade de utilizar minha experiência como professora do ensino
fundamental.
Sua versão de
Carrossel será um produto de entretenimento para adultos e jovens, além das
crianças. Você criou novas histórias e tramas para envolver esse público? Pode
citar algumas?
Sim. Carrossel será
uma novela para todas as faixas etárias, principalmente, por fazer parte da
infância dos adultos de hoje. Todos que assistiram querem reviver essa história
com seus filhos. A narrativa está bastante fiel à original. Porém, colocamos
mais romance e rivalidade no núcleo de professores, sempre de uma forma
divertida. Nas fantasias das crianças, muitas vezes, trouxemos os contos de
fadas para a novela.
Tem algo que a senhora
discordava da novela original que limou da sua adaptação?
Foram evitados
repetição de conflitos e diálogos pesados, além de racismo exagerado.
Carrossel é a sua
quarta novela, já reconhece alguma marca ou estilo em sua maneira de escrever?
Uma das
caracterÃsticas é sempre levar o telespectador a refletir sobre os conflitos do
cotidiano gerando mais esperança, otimismo, e alegria de viver. Podemos prever
nosso futuro com boas decisões no presente e é isso que procuro passar, também
para meus colaboradores que me acompanham, desde a primeira novela.
Quais são as
expectativas quanto à reação dos telespectadores ao assistir Carrossel?
Nossa maior
expectativa é que toda famÃlia volte a se reunir para desfrutar de bons e
divertidos momentos juntos.
Entrevista com o
diretor geral Reynaldo Boury
Quantos capÃtulos terá
Carrossel?
Possivelmente serão
perto de 260 capÃtulos, no ar.
Como é fazer o remake
de Carrossel?
Fazer um remake é
sempre um desafio. Ainda mais quando o original foi um sucesso.
É a primeira vez que
você está trabalhando ao lado de crianças? Como está sendo a experiência?
Já trabalhei com
crianças, mas nunca com 20 de uma só vez.
Como está sendo a
parceria com a autoria Iris Abravanel e também o entrosamento entre o elenco de
Carrossel?
A parceria com a
autora não podia ser mellhor. Ela é ótima. Estamos nos entendendo muito bem,
sempre tentando solucionar os problemas, mas em dupla. Quanto ao elenco estão
todos bem entrosados. Parecem até uma famÃlia.
Como você acredita que
o telespectador receberá Carrossel? Qual a mensagem da novela?
Com certeza o
telespectador receberá muito bem, pois quem viu a original, vai querer rever e
ainda vão levar os filhos para assistirem a nossa produção. A mensagem é de
muito otimismo. Cada capitulo traz uma mensagem de paz e harmonia entre os
seres humanos.
Como você define
Carrosel?
Uma pausa nas novelas
que atualmente mostram muita violência.
Qual a diferença entre
dirigir adultos e crianças? É mais fácil ou mais difÃcil dirigir crianças? Por
quê?
Dirigir crianças
quando estão em companhia de atores adultos é muito fácil, pois são muito
obedientes. Mas quando estão em grupo complica um pouco. Afinal são crianças.
@SBTWorld

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